sábado, 26 de julho de 2008
Mais do mesmo
Vertigens...
Dogmas e persistências.
Quero você!
Não quero somente.
Quero que você também me queira.
A querência mútua
Sagazmente inserida em teu coração.
Pela vontade ímpar de comigo estar.
oOo
Tarde dominical.
Vespertina plena, cheiro doce de término do dia.
Cores em crepúsculo se aproximam do horizonte.
Tênue holocausto diário.
Luta íntima.
Prazer e dor se aniquilam.
Jovem cheiro de alecrim, cor de desejo.
Olhos ângulos e sentidos aniquilados.
oOo
Sua cartografia ímpar
Curvas fechadas, ângulos retos e obtusos.
Vales, desfiladeiros e miragens.
Cheiro, gosto e espasmo.
Cãibra da alma.
Nó nos nervos ou colapso da foda inacabada.
oOo
Eu hoje chorei
Duas lágrimas.
Uma de cada canal
A escorrer por entre
Pelos grisalhos da barba de três dias.
Lágrimas de alegria.
Lágrimas de vida.
Lágrimas.
A quanto não acontecia.
Eis que me declaro:
Por baixo da casca de carbono em fibra
Jás um romântico que ressuscita ao som de Marina Lima.
Agora, certo do que não quero
Vou a ti.
Teu beijo me cativa
Prisão de poder, espasmo e danação.
Alegria é como morfina, atenua a dor, não cura a causa e pior, vicia.
oOo
A muito deixo de me preocupar, agora só o ócio me ocupa.
Atender ao imediato e salvar o futuro.
Equacionar os simbolismos da existência deixa de ser essencial.
Hiperlink
Conexões da mente
Cercado de Casmurro e Dostoiévski
Drummond e Drummond
Prosas, romances e versos
Sílabas a fim de castração.
A plenitude da página em branco.
De Barros a ignorãça, de Gullar a sujidade.
Da modernidade passagem para o presente
Buraco negro do cosmo da mente
Nietsche, Jung, Freud, Baruk
Linguagem C,
Que hyperlink é esse que me leva
A Dylan ao som de Sabath e Maria Rita.
Beatitudes modernas em palavra eterna.
Concatenação inteligível do real.
Gritos de música, metal.
Canal aberto de cultura.
Psicografia de mim mesmo.
Pedidos a duendes e paz no Cristo.
Sagrado e profano se cruzam se contemplam e se completam.
Nesse emaranhado de luta ecoando a mente interpelante.
oOo
Insano
A insanidade é uma questão de grau. Quanto mais elevado o nível do comprometimento psíquico do indivíduo em relação a sua situação sócio-econômica-fisiológica mais insano será.
Vejamos pois qual a possibilidade de um brasileiro comum, por volta dos 38 anos de idade, nível médio de ensino incompleto, casado, 2 filhos adolescentes e consumistas costumazes. Qual seria a sua solicitude em caso de perca de emprego?
Insanidade, mas tão acostumados estamos que, por vezes, nem nos apercebemos que brasileiro nato não enlouquece, só muda de estado de sanidade.
Na pratica
Ignore de todo e qualquer conhecimento científico teórico, os detentores atuais dos cargos gerenciais do país, que estão em franca extinção, são em sua quase totalidade, pouco profissionais, seres desqualificados, altamente sentimentais e despreparados.
Clichês
A emissora padrão, largou aqueles filmes idiotas de macacos e pé-grande que de tão populares, parecem que são de nossa terra. Aqui quem manda é o canto do Uirapuru e o atabaque de mãe Meninha do Cantoá e a zabumba da folia de reis, e claro o canto da capina. O cheiro da rapadura, do café adoçado com acúcar mascavo e do fogao a lenha aceso com palha de milho. Gosto de pamonha, paçoca de amendoim e carne seca, carne de sol na brasa, enfim, pinhão e cachaça. Garapa da boa com gambá e tudo dentro, destilada em alambique de cobre no fundo do quintal de minha infância, onde ainda moro nas lembranças, de certo na memória. Sou isso e muito mais. Gosto de tudo e nada. Sou eclético, universal mas acima de tudo mineiro de alma, raiz e cabelo; pouco cabelo é verdade. Quanto mais distante da raiz, maior seremos a buscar nossa seiva de vida. Que babaca filhinho de papai conheceu cheiro de bosta de boi depois da primeira chuva do verão, o cheiro de poeira no ar antes da chuva chegar, da janela de madeira do quintal da minha casa. Do mugir do gado. Do ronco dos aviões que saiam de sua rota e me causavam espanto na primeira infância. Da beleza do canto do sabiá na comunheira e o cheiro doce do pomar da casa de minhas memórias parcas, à época da florada e do zunido ensurdecedor das abelhas que o polinizava. Deus, isso da um livro em forma de prosa e verso juntos, sem pretensões literárias. Sem ponto nem virgula como uma prosa de fundo da cozinha, sentado de cócoras apoiado nos calcanhares, com cheiro de fumo de rolo e palha queimando... sabor de vida. Ouço o som do laço de meu pai a correr por entre seus dedos e laçar, boi de mentira a beira do caminho só para me mostrar como se faz. Recordo de quando fui com ele de fralda e mamadeira na mochila, que na verdade era um embornal, 3 anos, buscar gado na casa da minha tia uns 20 km, e tive uma diarreia brava por causa do sol. Limpei com sabugo de milho e nunca mais esqueci da minha experiencia como peão boiadeiro. Andei de carro de boi, guiei boi, ninguém nem sabe o que é isso aqui na cidade grande. E acham que não levo jeito, só porque também sei programar computadores, conheço Ezra Pound e li Dostoievisk. Só porque gosto de poesia. Escrevo merda e gosto de mulher de todo tipo e gosto, amo todas a seu tempo. Alias me apaixono por todas, e abro meu coração, não tendo medo de dizer que amo até mesmo porque, amo. Tenho um libido poderoso e sou rápido no gatilho. Porque sou Cruzeiro e Cedro Esporte Clube, curto U2, Pearl Jam, depois de velho resolvi tocar Saxofone, e mesmo que nunca aprenda continuarei a tentar. Bordo ponto cruz, desenho nu, artisitico que nada, nu de putaria, mulheres que comi ou fui comido por elas isso nao importa. O fato e que fui feliz e as fiz feliz. Liberdade poética. Se nao falar pesado nao tem graça. Plágio da Bíblia e da Ilíada que aliás, não li.