A emissora padrão, largou aqueles filmes idiotas de macacos e pé-grande que de tão populares, parecem que são de nossa terra. Aqui quem manda é o canto do Uirapuru e o atabaque de mãe Meninha do Cantoá e a zabumba da folia de reis, e claro o canto da capina. O cheiro da rapadura, do café adoçado com acúcar mascavo e do fogao a lenha aceso com palha de milho. Gosto de pamonha, paçoca de amendoim e carne seca, carne de sol na brasa, enfim, pinhão e cachaça. Garapa da boa com gambá e tudo dentro, destilada em alambique de cobre no fundo do quintal de minha infância, onde ainda moro nas lembranças, de certo na memória. Sou isso e muito mais. Gosto de tudo e nada. Sou eclético, universal mas acima de tudo mineiro de alma, raiz e cabelo; pouco cabelo é verdade. Quanto mais distante da raiz, maior seremos a buscar nossa seiva de vida. Que babaca filhinho de papai conheceu cheiro de bosta de boi depois da primeira chuva do verão, o cheiro de poeira no ar antes da chuva chegar, da janela de madeira do quintal da minha casa. Do mugir do gado. Do ronco dos aviões que saiam de sua rota e me causavam espanto na primeira infância. Da beleza do canto do sabiá na comunheira e o cheiro doce do pomar da casa de minhas memórias parcas, à época da florada e do zunido ensurdecedor das abelhas que o polinizava. Deus, isso da um livro em forma de prosa e verso juntos, sem pretensões literárias. Sem ponto nem virgula como uma prosa de fundo da cozinha, sentado de cócoras apoiado nos calcanhares, com cheiro de fumo de rolo e palha queimando... sabor de vida. Ouço o som do laço de meu pai a correr por entre seus dedos e laçar, boi de mentira a beira do caminho só para me mostrar como se faz. Recordo de quando fui com ele de fralda e mamadeira na mochila, que na verdade era um embornal, 3 anos, buscar gado na casa da minha tia uns 20 km, e tive uma diarreia brava por causa do sol. Limpei com sabugo de milho e nunca mais esqueci da minha experiencia como peão boiadeiro. Andei de carro de boi, guiei boi, ninguém nem sabe o que é isso aqui na cidade grande. E acham que não levo jeito, só porque também sei programar computadores, conheço Ezra Pound e li Dostoievisk. Só porque gosto de poesia. Escrevo merda e gosto de mulher de todo tipo e gosto, amo todas a seu tempo. Alias me apaixono por todas, e abro meu coração, não tendo medo de dizer que amo até mesmo porque, amo. Tenho um libido poderoso e sou rápido no gatilho. Porque sou Cruzeiro e Cedro Esporte Clube, curto U2, Pearl Jam, depois de velho resolvi tocar Saxofone, e mesmo que nunca aprenda continuarei a tentar. Bordo ponto cruz, desenho nu, artisitico que nada, nu de putaria, mulheres que comi ou fui comido por elas isso nao importa. O fato e que fui feliz e as fiz feliz. Liberdade poética. Se nao falar pesado nao tem graça. Plágio da Bíblia e da Ilíada que aliás, não li.
Livros e auto ajuda
Há 14 anos
Nenhum comentário:
Postar um comentário